A intimidade por trás do novo álbum de Cassiano Franco

Aug 29, 2025

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Após cinco anos de estrada, o artista decidiu transformar vivência em verbo, fazendo do estúdio um ambiente de confronto entre passado e futuro. Com raízes marcantes e uma trajetória de sobrevivência, ele construiu um álbum que não é só seu primeiro projeto solo, como também seu retrato sincero — espelho de suas escolhas e dores que moldaram sua jornada.

Inspirado pela figura mitológica de Jano, ‘Amor e Ódio’ traduz o conflito entre destruição e reconstrução em cada faixa. Esse trabalho é expressado através da música como forma de escape das batalhas internas, utilizando da arte como ferramenta de salvação.

Conversamos com o artista sobre a origem do projeto: suas referências, sons e trajetórias que influenciaram na composição de seu novo álbum. Confira a entrevista completa abaixo:

NOTTHESAMO: Como você descreveria o momento em que decidiu transformar suas vivências em um álbum? Foi mais necessidade ou escolha?

Cassiano: Foi uma necessidade. Em 5 anos de carreira eu venho fazendo bastante participações e soltando alguns trabalhos, mas nunca fiz um projeto grande como artista solo, então vejo que esse é o momento exato para “Amor e Ódio”, tanto para mim como pessoa/artista, quanto as pessoas que me acompanham.

NTS: De que maneira suas raízes e vivências influenciaram esse projeto de forma direta?

C: Minhas raízes e vivências influenciaram do início ao fim. Venho de uma realidade onde a dualidade está presente em cada segundo da minha vida. A grande maioria das letras saiu de vivências reais, de neuroses que tomaram a minha cabeça durante um bom tempo. Acredito que transpareci a minha maneira mais pura de expressão nesse álbum.

NTS: O álbum “Amor e Ódio” gira em torno da figura de Jano. Como surgiu essa conexão entre a mitologia e sua própria história?

C: Na representação de Jano, ele olha para o passado e para o futuro ao mesmo tempo, e a maioria dos meus questionamentos e teses dentro do álbum é sobre isso, sobre como nosso passado interfere no nosso presente e sobre como nossas atitudes de hoje influenciam no nosso futuro.

NTS: Na capa, você aparece com uma arma em uma mão e um microfone na outra. Qual é a mensagem que essa imagem carrega pra você?

C: A arma significa as batalhas que tive ao decorrer da minha vida, tanto no meu pessoal quanto no meu profissional. O microfone simboliza a arte, que além de ser a maneira que encontrei de expressar o que sinto, foi o que me tirou do perigo das ruas.

NTS: O fio condutor do álbum é a dualidade. Como se deu o processo de colocar em palavras e sons, sentimentos tão intensos?

C: Meus sentimentos sempre foram muito intensos, e desde cedo eu sempre procurei me expressar claramente sobre o que se passa dentro da minha cabeça. Confesso que não foi tão difícil me expressar em cada beat desse álbum, pois já faz um tempo que descobri que tenho facilidade nisso. Difícil mesmo foi vivenciar.

NTS: O álbum tem 16 faixas. Como foi organizar tantas ideias, dores e visões em um corpo único de trabalho?

C: Foi um processo de muito autoconhecimento. A grande maioria vezes sentimos e pensamos por coisas que não conseguimos transparecer pra qualquer pessoa, apenas nós mesmos sabemos certo o que se passa. O processo de criação do álbum me fez olhar bastante pra mim, é como se eu tivesse dado vida e forma a todas as neuroses que estavam presas a muito tempo na minha cabeça, e pela quantidade de faixa, dá pra ver que não eram poucas.

NTS: Existe algum artista, movimento ou referência que contribuiu de forma significativa a criar essa atmosfera entre guerra e arte?

C: Não, toda inspiração do álbum, do começo ao fim, gira em torno das minhas experiências de vida. Eu busquei ser o mais original possível nesse álbum.

NTS: Como você vê o papel da arte hoje num cenário em que tanta gente vive nesse mesma constância de destruição e reconstrução?

C: A arte ainda tem um papel fundamental de salvar vidas. Em um cenário onde tanta gente vive intensamente entre o amor e ódio, a arte vira ferramenta de expressão e de sobrevivência.

NTS: Esse é seu primeiro álbum de estúdio. O que ele representa na sua caminhada artística e pessoal?

C: Esse álbum marca um momento de maturidade na minha trajetória, tanto artística quanto pessoal. Amor e Ódio me permitiu falar das minhas vivências de uma forma que eu nunca tinha conseguido antes. Foi um processo bem intenso, exigiu bastante de mim, mas foi essa entrega que me fez crescer e entender mais sobre quem eu sou como pessoa e como artista.

NTS: E por fim, se pudesse dar qualquer dica para alguém, o que diria?

C: Seja original, não se esqueça das suas raizes e busque a sua melhora espiritual, isso faz total diferença.

Assistente de redação e social mídia

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