Métodos criativos e linguagem por DVPEX

Jan 23, 2026

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Todo trabalho visual é necessário passar por processos longos e duradouros de criação, tratando cada minuciosidade do que é mostrado. Para o diretor Dvpex, o essencial é a identidade visual com a verdade. Com estética construída na rua, em sets pequenos e com base em testes, o criativo criou uma linguagem única e constante, capaz de gerar marcas próprias. A vontade de dirigir e criar imagens veio cedo, atravessada por cinema, games e referências que mostraram que a câmera também fala. De Kill Bill aos encontros cotidianos, DVPEX entende o audiovisual como ferramenta de expressão real, algo que nasce da vivência, do detalhe, da escuta e da troca criativa.

Nos últimos meses DV trabalhou no audiovisual do álbum de XTRANHO, do rapper Matuê, um marco para sua carreira. “Surgiu naturalmente, através de amigos em comum e tudo aconteceu muito rápido. Fui chamado pro projeto, entrei de cabeça e comecei a entregar. Foi uma parceria que se desenvolveu com base em visão compartilhada, entrega real e construção de processo, onde cada projeto fortalecia ainda mais essa conexão."

Criação coletiva, confiança construída na entrega e participação direta em todas as etapas fazem parte da lógica. Batemos um papo com o diretor, que nos contou mais sobre esses processos, confira a entrevista completa abaixo:

NOTTHESAMO: Quais elementos você considera essenciais no seu trabalho e de que forma essa estética foi se construindo ao longo da sua trajetória?

DVPEX: Pra mim, o essencial é identidade visual com verdade. Uso muito do brutalismo, minimalismo e da cultura urbana, mas o que amarra tudo é a intenção por trás. Não busco só estética bonita, quero causar sensação, ritmo, presença.

Minha estética se construiu na rua, em sets pequenos, testando. Depois veio o conhecimento técnico: color, direção, ritmo narrativo. A junção disso virou minha linguagem.

NTS: De onde surgiu a vontade de trabalhar com direção e audiovisual?

D: Desde novo eu era fissurado em games e cinema. Quando vi Kill Bill Vol. 1, percebi que a câmera podia falar por si.

A estética, os zooms, o ritmo... aquilo me marcou. Depois vieram, Tim Burton, Spike Lee e entendi que podia usar isso como forma de expressão mesmo, não só como trabalho.

NTS: Onde você costuma buscar inspiração para criar?

D: Moda, arquitetura, filme, vídeo clipe. Mas principalmente no cotidiano: numa rua que vejo andando, numa conversa com meus amigos ou num som.

Eu gosto de traduzir sensações em imagem. Às vezes começo um projeto só com uma música ou uma cor. Também uso a técnica como ferramenta de expressão, e não o contrário.

NTS: Quais foram as principais referências visuais e culturais no álbum do Matuê?

D: A visão das referências veio tanto da gente, que já trabalha com esse tipo de linguagem visual, quanto da equipe dele, que já tinha muito claro o que queria construir em termos de identidade.

NTS: Como surgiu a relação profissional entre vocês?

D: Surgiu naturalmente, através de amigos em comum e tudo aconteceu muito rápido. Fui chamado pro projeto, entrei de cabeça e comecei a entregar.

A confiança foi crescendo conforme os resultados apareciam, tanto nas entregas quanto na troca criativa, como nas gravações em VHS e nos encontros que aproximaram mais ainda a visão entre nós.

Foi uma parceria que se desenvolveu com base em visão compartilhada, entrega real e construção de processo, onde cada projeto fortalecia ainda mais essa conexão.

NTS: Como foi o processo criativo por trás dos projetos?

D: Foi um processo com muita troca real, reuniões, encontros e construção coletiva. Tivemos momentos importantes de alinhamento, como no camping, onde rolou muito feeling e experimentação, tanto da minha parte quanto da equipe do Matuê, junto com os diretores criativos dele.

Muitas ideias já vinham da construção da identidade visual que eles estavam desenvolvendo pro álbum, e como eu e o pessoal da @LocationWave já temos experiência com artistas globalmente, conseguimos trazer uma visão estratégica e complementar.

O matching entre a minha linguagem e a do próprio Matuê foi natural. E eu sempre penso conceito, narrativa e estética como uma coisa só, não existe separação no meu processo.

Participei ativamente de toda a pós-produção, coordenando e executando edição, color, VFX, SFX, 3D e processos com IA. Botei a mão mesmo em todas essas etapas, junto com meus irmãos @zackvs7 e @gpfx.v, garantindo que a visão do projeto se mantivesse coesa e com identidade em cada entrega.

Nos clipes “Meu Cemitério”, “Somos os Melhores” e “Rei Tuê”, além da coordenação, assinei a criação dos VFX junto com @zackvs7, @visualsbygdm e @rochavisualz.

Durante todo o processo, tivemos encontros constantes com o Matuê para apresentar, revisar, ajustar e evoluir o que estava sendo feito.

Foi um processo intenso, colaborativo e 100% entregue, com direção, estética e intenção em cada detalhe.

NTS: Como você equilibra liberdade criativa e as expectativas do artista ou do mercado?

D: Mostrando resultado. Quando entrego algo com identidade, que conecta, o artista entende que pode confiar.

Eu escuto, entendo a proposta, mas filtro tudo pela minha visão. Não entro em projeto só para cumprir, entro pra somar.

NTS: Quais etapas você considera mais marcantes no processo?

D: Os momentos de caos criativo, quando parece que nada vai encaixar e no final, tudo se amarra.

Também o impacto de ver o projeto no ar, com as pessoas absorvendo. São nesses momentos que vejo que a entrega valeu.

NTS: Se você pudesse dar uma dica pra alguém, qual seria?

D: Faz do seu jeito, mas faz direito. Não espera ficar perfeito para começar.

Treina o olhar, testa tudo, grava com o que tiver. A linguagem vem com o tempo, e a identidade nasce no erro também. Estuda luz, cor, e vive a rua.

Editor in chief

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