Mulheres que moldaram a história do futebol brasileiro
7 de mar. de 2026
O futebol feminino no Brasil tem uma história marcada por resistência. Em 1941, durante o governo de Getúlio Vargas, um decreto do Conselho Nacional de Desportos proibiu oficialmente as mulheres de praticarem esportes considerados “incompatíveis com sua natureza”, entre eles o futebol. Essa proibição permaneceu formalmente em vigor até 1979 e só foi revogada em definitivo em 1983.

Isso significa que as primeiras gerações de jogadoras brasileiras desenvolveram o esporte à margem da legalidade, jogando em clubes improvisados, campos de bairro e torneios não oficiais. Mesmo com essas restrições, algumas atletas conseguiram construir carreiras que ajudaram a manter o futebol feminino vivo no país. A partir dos anos 1990, com a organização das primeiras seleções e campeonatos internacionais, o Brasil passou a formar uma geração de jogadoras que colocaria o país entre as maiores potências do futebol feminino.
A seguir estão algumas das principais figuras dessa trajetória.
Pioneiras que jogaram antes da profissionalização
Elane Rego dos Santos
Uma das primeiras jogadoras da seleção brasileira formada nos anos 1980. Elane participou das primeiras competições internacionais disputadas pelo Brasil, incluindo torneios organizados ainda antes da consolidação da Copa do Mundo feminina. Sua geração foi responsável por estruturar o início da seleção nacional em um período em que ainda havia pouca visibilidade e apoio institucional.

Meg
Conhecida apenas pelo apelido, Meg foi uma das jogadoras mais lembradas da primeira seleção brasileira feminina organizada oficialmente no final dos anos 1980. Atuando como defensora, participou da construção da base competitiva do time nacional em torneios internacionais que ajudaram a consolidar o futebol feminino.

Sissi
Considerada uma das primeiras grandes estrelas do futebol feminino brasileiro. Sissi brilhou na Copa do Mundo de 1999 quando terminou como artilheira da competição ao lado da chinesa Sun Wen. Seu desempenho naquele torneio ajudou a colocar a seleção brasileira definitivamente no radar do futebol mundial.

A geração que levou o Brasil ao cenário mundial
Pretinha
Uma das jogadoras mais longevas da história da seleção brasileira. Pretinha participou de quatro Copas do Mundo e três Olimpíadas, atuando como atacante em uma geração que ajudou a consolidar o Brasil como potência no futebol feminino.

Formiga
Miraildes Maciel Mota, conhecida como Formiga, é um caso único na história do futebol mundial. Ela participou de sete Copas do Mundo e sete Olimpíadas, algo que nenhum outro jogador ou jogadora conseguiu. Sua carreira atravessou mais de duas décadas e se tornou símbolo de longevidade e resistência no esporte.

Kátia Cilene
Uma das principais atacantes brasileiras no início dos anos 2000. Kátia Cilene foi peça importante em clubes brasileiros e também na seleção nacional, participando da consolidação do futebol feminino em um momento de crescimento das competições internacionais.

A geração que redefiniu o futebol feminino
Marta
Provavelmente a jogadora mais importante da história do futebol feminino. Marta foi eleita seis vezes melhor jogadora do mundo pela FIFA e se tornou a maior artilheira da história das Copas do Mundo, considerando torneios masculinos e femininos. Sua carreira internacional, especialmente na liga americana e na seleção brasileira, ajudou a transformar a visibilidade do futebol feminino globalmente.

Cristiane
Uma das maiores goleadoras da história da seleção brasileira. Cristiane teve destaque em diversas Olimpíadas e Copas do Mundo, além de passagens por clubes nos Estados Unidos, Europa e Brasil. Sua presença marcou uma geração que levou o Brasil a finais olímpicas.

Daniela Alves
Capitã da seleção brasileira durante vários anos, Daniela foi peça central no meio-campo do Brasil nas décadas de 2000 e 2010. Conhecida pela visão de jogo e liderança, participou de momentos importantes da seleção em competições internacionais.

Jogadoras que fortaleceram o futebol feminino no Brasil
Aline Pellegrino
Zagueira histórica da seleção brasileira, Aline Pellegrino se destacou pela consistência defensiva e liderança. Após encerrar a carreira como jogadora, passou a atuar em cargos de gestão no futebol feminino, ajudando na estruturação de competições no Brasil.

Maurine
Atacante com passagens por clubes importantes no Brasil e na Europa. Maurine também integrou a seleção brasileira em diferentes ciclos e foi parte da geração que expandiu a presença do Brasil no futebol internacional.

Rosana
Uma das jogadoras mais versáteis do futebol brasileiro. Rosana atuou tanto na defesa quanto no meio-campo e participou de quatro Olimpíadas com a seleção brasileira.

A geração recente e o novo futebol feminino brasileiro
Debinha
Uma das principais jogadoras da seleção brasileira na última década. Debinha construiu carreira sólida na liga americana e se tornou referência técnica da nova geração da seleção.

Bia Zaneratto
Centroavante conhecida pela força física e capacidade de finalização. Bia Zaneratto tem passagens importantes por clubes europeus e asiáticos e se tornou uma das principais atacantes da seleção brasileira.

Andressa Alves
Meio-campista com passagens por clubes como FC Barcelona Femení e pela seleção brasileira. É uma das sucessoras da geração de Formiga, Cristiane e Marta.

Ary Borges
Um dos nomes mais promissores da nova geração. Ary ganhou destaque internacional ao marcar três gols na estreia do Brasil na Copa de 2023.

Kerolin
Eleita melhor jogadora da liga americana em 2023, Kerolin representa a geração mais recente do futebol brasileiro, formada em um cenário mais profissionalizado e internacionalizado.

Para cada período do futebol brasileiro caberiam muitos outros nomes além dos citados. A história do esporte no país, foi construída por dezenas de jogadoras que atuaram muitas vezes longe de qualquer estrutura, sem liga nacional estável, sem salários regulares e com pouca visibilidade. Em diferentes décadas, atletas de clubes regionais, seleções estaduais e projetos independentes mantiveram a modalidade viva mesmo quando o calendário era escasso ou inexistente.
O que aparece nessa lista é apenas um recorte possível dentro de uma trajetória muito maior, que inclui gerações inteiras que ajudaram a consolidar o futebol feminino antes mesmo de existir qualquer atenção institucional consistente.
Hoje o cenário começa a mostrar outra configuração. Após anos em que a narrativa da seleção esteve inevitavelmente ligada a figuras como Marta e Cristiane, o futebol brasileiro passa a observar a formação de uma nova geração que já cresce dentro de um ambiente mais estruturado. Jogadoras como Debinha, Bia Zaneratto, Gabi Portilho e Zanotti assumem protagonismoi. Esse processo acontece às vésperas de um marco importante, a realização da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027 no Brasil, que deve ampliar ainda mais a visibilidade e o investimento na modalidade e marcar um novo capítulo na história do futebol feminino no país.

A história das mulheres no futebol brasileiro é inseparável da luta por reconhecimento. Durante décadas, jogadoras tiveram que praticar o esporte sem apoio institucional, muitas vezes sem estrutura mínima de treinamento ou competição.
Mesmo assim, o Brasil conseguiu formar algumas das maiores atletas da história do futebol feminino. O crescimento recente de ligas nacionais, campeonatos internacionais e programas de base indica que o país começa finalmente a construir uma estrutura mais sólida para o esporte.
Ainda existe uma distância grande entre o futebol feminino e masculino em termos de investimento e visibilidade, mas a trajetória dessas jogadoras mostra que o futebol feminino brasileiro sempre existiu, mesmo quando tentaram impedir que ele fosse jogado.




