Os processos e desenvolvimento de “Acima 2 Arcos” por CHS.
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Os processos e desenvolvimento de “Acima 2 Arcos” por CHS.
De Irajá e pelas ruas da KGL, entre Catete, Glória e Lapa, o rapper carioca CHS lança seu novo álbum “Acima 2 Arcos”, com uma leitura sobre suas referências, vivências, paternidade e tudo aquilo que o cerca. Lançado no aniversário de 35 anos, somos apresentados a uma versão artisticamente amadurecida do artista: “Desde 2015 fui prestando atenção em todas as partes da indústria, como eu solto um álbum conceitual e como eu consigo encher uma casa de show com esse mesmo trabalho.”
Lançado no aniversário de 35 anos, “ACIMA 2 ARCOS”, p disco foi construído ao longo de um ano ao lado de Rafinha No Beat, com referências diretas na vivência cotidiana, nos filhos, no retorno dos shows e na necessidade de afirmar permanência após um período marcado por EPs e singles.
O título do disco funciona como síntese simbólica dessa fase: “Olhar de cima mostra que eu estou em um nível mais elevado, longe da sujeira que eu sempre estive perto, buscando novos horizontes e objetivos para minha carreira.”
Confira a entrevista completa abaixo:
NOTTHESAMO: Porque CHS?
CHS: CHS é a abreviação de CHAOS, hoje nome da minha festa e que também já deu nome ao meu EP de 2018. Durante minha adolescência minhas ideias eram muitas e desorganizadas, um verdadeiro caos. Comecei a pixar essa abreviação quando morava em Irajá, e, desde então, levei esse nome como identidade comigo. Do caos na minha cabeça ainda nascem muitas ideias.
NTS: Como o hip-hop surgiu na sua vida?
C: Nasci e cresci pela Lapa/Santo Amaro onde a cultura de rua e artística é muito forte, principalmente na Lapa onde existia um lugar chamado CIC na Fundição Progresso em meados de 2005. Lá toda a cultura hiphop era fomentada e vinham muitos artistas de vários bairros. Foi escola pra muita gente inclusive pra mim, inclusive, anos depois montei a Batalha da Lapa (2011) e logo depois a Roda KGL (2016). O hip hop pra mim sempre foi movimentar a cultura pelo bairro.

NTS: “ACIMA 2 ARCOS” foi lançado no seu aniversário de 35 anos. Olhando pra sua trajetória até aqui, o que o CHS de hoje faz melhor — ou diferente — do CHS do começo? Onde você sente que mais amadureceu como artista?
C: O CHS de hoje amadureceu bastante, principalmente porque agora eu sou um artista independente, mas com muita experiência, tanto de palco quanto de estúdio. Desde 2015 fui prestando atenção em todas as partes da indústria, como eu solto um álbum conceitual e como eu consigo encher uma casa de show com esse mesmo trabalho. Hoje em dia o RAP cresceu demais. Você tem que estudar todas as áreas que fazem sua música chegar em mais gente e ficar cada vez melhor.
NTS: O álbum carrega uma imagem muito específica da Lapa. O que esse território representa na sua formação como artista e por que ele ainda é o cenário ideal pra contar essa história agora?
C: A Lapa ainda continua sendo o bairro onde eu moro, pela KGL (Catete, Glória e Lapa). Eu ainda crio meus filhos, encontro amigos, gravo minhas músicas. Esse lugar ainda ativa muita coisa da minha criatividade… Casa de show, Centro Cultural, feira da Glória, tudo ainda faz parte da minha vivência.

NTS: Seu rap sempre foi marcado por uma crueza, um “rap sujo”, quase sem filtro. Em que ponto da sua carreira você sente que essa estética deixou de ser só linguagem e virou identidade?
C: Desde o Nectar Gang eu sempre gostei mais das letras expressivas, as que impactavam mais. Acho que virou já o meu estilo, apesar de cada novo projeto que quero explorar mais a minha capacidade de fazer outras vibes. Nesse disco ACIMA 2 ARCOS produzimos vários estilos diferente justamente pra deixá-lo bem dinâmico e mostrar minha versatilidade em criar meus raps.

NTS: Como foi o processo de construção do clima do disco? Quais foram suas referências?
C: Passei 1 ano criando as músicas de projeto ao lado do RAFINHA no BEAT. Minhas referências foram as vivências, meus filhos, as sensações de voltar de um show e dever cumprido. Meu último projeto grande lançado foi em 2020, desde então só soltei EP's e singles, então nesse novo álbum busquei mostrar como ainda resisto na cena e enfrentei os desafios dos últimos anos.
NTS: O disco tem participações de nomes que dialogam diretamente com essa cena. Como você escolheu RAFLOW, LIS MC, SD9, RAFINHA e VND? O que cada um adiciona ao universo do álbum?
C: Os feats foram bastante sobre minha aproximação com cada um deles. SD eu já conheço há mais de 10 anos, Rafinha fez a maioria dos beats, Lis MC eu convidei pra última festa CHAOS que eu faço, VND sempre fui fã dos versos dele e Raflow também, conheci através do MC Rodson e logo em seguida convidei ele pro disco. Cada um somou de verdade na atmosfera do projeto.

NTS: Em que sentido ACIMA 2 ARCOS representa um próximo degrau na sua carreira?
C: O nome Acima eu usei justamente pra mostrar uma nova perspectiva dos arcos, pois eu sempre olhei ele de baixo pra cima. Olhar de cima mostra que eu estou em um nível mais elevado, longe da sujeira que eu sempre estive perto, buscando novos horizontes e objetivos pra minha carreira.
NTS: Se pudesse dar uma dica para qualquer pessoa, o que seria?
C: Faça tudo que puder com o que tem, nas condições que você tem agora. Você vai achar um jeito de subir para o próximo degrau. Use as redes sociais para espalhar sua mensagem, mas não esqueça que ela destrói sua cabeça de várias formas. Você não vai ser jovem pra sempre então não volte pra casa com o bolso vazio, junte dinheiro!
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