Trajetórias, influências e a jornada de SPARK.
Artista de R&B, ou então conhecido também por sua trajetória no futebol, SPARK é o nome artístico de Anderson, também conhecido como Anderson Talisca, jogador de futebol que atualmente joga no Fenerbahçe. Nascido e criado em Feira de Santana, a música apareceu em sua vida antes do esporte, ainda durante a escola. Na época, o som que o movia não era ainda o rap e suas vertentes, mas o tradicional axé e pagode de sua região.
Tocando em uma banda de axé desde novo, sua carreira sempre esteve aliada com os movimentos musicais, e após se tornar jogador, atravessar o mundo com o esporte, as raízes não poderiam ficar de lado. “Minha essência nunca mudou, nunca deixei de lado. Independente de condição financeira ou não, sempre mantive os pés no chão, sempre pensei da mesma maneira, daquele menino sonhador. Sempre tive esse lado de pensar o que já passei, olhar para trás e ver toda a minha história.”

Para Anderson, a música sempre foi a resposta para tudo. Em entrevista ao NOTTHESAMO, conversamos mais para entender suas influências, o que o artista tem escutado atualmente, como levar a carreira junto do esporte e tudo mais. Confira a entrevista completa abaixo:
NOTTHESAMO: A música sempre esteve presente na sua vida, até antes do futebol. O que você se recorda de escutar quando era mais novo na época da base?
SPARK: Na época da base me recordo de escutar muito Axé e Pagode. Foram as primeiras músicas que escutei quando cresci ali na minha infância.
N: Quanto você enxerga hoje que essas músicas te influenciam ainda hoje, visto que você não se mantém em apenas um estilo e dialoga entre o trap e o R&B?
S: Entendo de uma forma positiva, porque o RnB fala de amor, trap, pagode e axé também. Só tem uma comunicação lírica totalmente diferente. Mas, tem coisas que eu já trouxe pro RnB que são falados no pagode e axé de formas diferentes.

N: Antes do futebol profissional, você já estava tocando em banda de axé. Como era conciliar essa rotina com a base? Em algum momento você sentiu que precisava escolher entre um e outro?
S: Quando eu comecei a tocar na banda de axé, eu estava na escolinha, no time do colégio. Então foram uns 5, 6 anos com essa rotina. Tocando depois da escola e treinando à tarde. Só depois que tive que tomar uma decisão importante.
N: Naquele período, o que a música representava pra você? Era fuga, diversão, ou já existia uma intenção mais séria ali?
S: Já existia uma intenção mais séria. Já cansei de chorar pra minha mãe para eu ensaiar.
N: Como você enxerga hoje o Anderson Talisca e o Spark? São a mesma pessoa ou você sente alguma diferença entre as duas personalidades?
S: Existe um pouco de diferença na personalidade tanto do Talisca quanto do Spark, mas querendo ou não é o Anderson. Os dois fazem parte de uma persona só.
N: Viver fora do Brasil desde muito cedo, mudou a forma como você consome e produz música?
S: Morar fora mudou a forma de fazer música. Fiquei mais intenso. Todo dia me descubro musicalmente. Fiquei ainda mais “rato” de estúdio, agora com um em casa.
N: De Feira de Santana até aqui, o que você sente que nunca mudou em você?
S: Minha essência nunca mudou, nunca deixei de lado. Independente de condição financeira ou não, sempre mantive os pés no chão, sempre pensei da mesma maneira, daquele menino sonhador. Sempre tive esse lado de pensar o que já passei, olhar para trás e ver toda a minha história.
N: Hoje, o que você tem escutado? Quais artistas têm feito parte do seu dia a dia?
S: Muitos artistas fazem parte do meu dia-a-dia. Drake, PARTYNEXTDOOR, Luccas Carlos, Cabelinho, Delacruz, Budah, Baco, Luan Santana… Muita gente.

N: Quando as pessoas pensarem no Spark daqui a alguns anos, qual tipo de legado você gostaria que permanecesse?
S: Perseverança. Uma pessoa que nunca deixou de lutar pelo seu. Apesar de ter uma história bonita no futebol, correr atrás do seu sonho na música. Não sobre a condição, mas sim sobre o esforço, a humildade, a essência de querer vencer musicalmente. Esse reconhecimento de que, quando a gente quer, a gente pode fazer acontecer.
Uma pessoa que fez a arte de uma maneira muito séria e muito objetiva, clara. E não porque ele tinha uma condição boa por causa do futebol. Esse é o legado que eu quero deixar.




