MR. Tour, a primeira parada de Yunk Vino em São Paulo
Após o lançamento de seu primeiro álbum MR., Yunk Vino teve sua estreia também em turnês. E na última sexta-feira, o primeiro passo foi dado na Audio, em show que reuniu diversos nomes que participaram do álbum e também de outras músicas durante a carreira de Vino como Veigh, Kyan, Dessiiik, Duquesa e Phl Notunrboy.
Por trás de um projeto que levou quase 3 anos de construção cuidadosa, uma equipe gigantesca foi escalada para tirar a era "MR." do papel e transformá-la em uma experiência visual e sonora inédita. Nomes como Duda Chioquetta, Drica Lara da Neon, Lucas Vaz, Kaire Jorge e Caio dos Reis foram algumas das cabeças pensantes dessa estrutura, que expande o universo do álbum para próximo ao público.

Batemos um papo com a equipe e com o próprio Vino sobre o que foi produzido, a ansiedade do primeiro show e expectativas para não só a turnê, mas a realização de mais um passo de um projeto pensado durante tanto tempo. O artista e as mentes criativas dissecaram o palco, o setlist e a construção imagética da obra. Confira a matéria completa no site. Link na bio.
Fotos por Caio dos Reis e Leo Pimentel
NOTTHESAMO: MR. é um disco complexo, muito amarrado em blocos narrativos diferentes. Como foi o seu trabalho para transformar essa linha do tempo do álbum em um setlist que deve dialogar tanto com o público e a narrativa do álbum?
Lucas Vaz, Diretor Musical: Foi uma missão muito gratificante e desafiadora. O álbum MR. tem uma narrativa rica, com blocos bem distintos e várias vibrações que pediam uma transição natural no show. Meu trabalho foi mapear essa linha do tempo emocional do disco e transformá-la em um setlist fluido, que respeitasse a sequência conceitual, mas também criasse momentos de conexão direta com o público, alternando tensão e catarse para manter todo mundo imerso na jornada.
Quisemos contar a história do Vino de forma visual e sonora, desde a entrada dele no deserto até a chegada no destino final, valorizando bastante a banda com os dois tecladistas e o DJ. O resultado é um show bem trap, cheio de emoção, onde os instrumentos ganham espaço para brilhar e reforçar cada fase da narrativa, criando uma experiência que conversa tanto com os fãs que conhecem o álbum quanto com quem está vivendo aquilo pela primeira vez ao vivo.
NTS: Estrategicamente, como a entrega da MR. TOUR simboliza para o longo prazo que a Boogie Naipe e a Labbel construíram para o Vino?
Kaire Jorge, Diretor Executivo: Desde o início do projeto, a gente idealizou e pensou na turnê como um dos fatores mais importantes para consolidar o projeto e o álbum. A longo prazo, ela faz parte da nossa visão de construção de carreira, de longevidade, de conexão com o público e de construção de identidade. Esses são pontos fundamentais na nossa visão de gestão, desenvolvimento e fortalecimento da carreira.
Por isso, entendemos a turnê como um passo importante: ela nos permite transitar, estar verdadeiramente conectados com o público para além do ambiente digital e apresentar o álbum em uma experiência que também vai além do digital.

NTS: O que significa para vocês, o álbum de estreia do Vino ter uma turnê em casas muito importantes para a história do nosso rap como Audio e Circo Voador?
KJ: A Audio e o Circo são casas já consolidadas, que também fazem parte dessa construção. Passar por esses espaços (Audio e Circo) e levar essa experiência ao público é um passo importante para a consolidação do projeto, na nossa visão.
É um desafio, especialmente em um ano atípico, marcado por Copa do Mundo, eleições e um cenário de recessão no mercado. Ainda assim, para nós, é importante realizar essa turnê de forma sustentável, garantindo uma boa experiência para o público e criando oportunidades para que mais pessoas possam acessar e vivenciar o projeto.
NTS: A identidade do MR. é fortemente marcada pela ideia de deserto e sem dúvidas a escultura do rosto do Vino. Como esses elementos visuais foram adaptados e aplicados na turnê?
Caio dos Reis, Diretor Criativo: A ideia do roteiro e palco do show foi expandir o universo visual do projeto para uma experiência, então toda a estrutura é pensada como a jornada de uma tribo nômade que habita o deserto e passa por provações, tempestades e diferentes estados de espírito até alcançar um “oásis”.

NTS: Pensando na experiência do fã que vai pagar o ingresso para ver a MR. TOUR: qual é o grande elemento visual ou detalhe na construção do palco que conta a história da direção criativa montada por você para o espaço? E como esse espaço, ajuda o público a ampliar a construção imagética do álbum como um todo?
Drica Lara, Direção Criativa Neon/Set Design: O disco MR. é a construção de uma jornada visceral do Vino em forma de música. Minha missão foi traduzir toda essa direção conceitual em uma estética visual para o show que tivesse a mesma intensidade da sua performance.
Acredito que esse encontro entre música, imagem e presença vai criar uma experiência única e imersiva para todos que tiverem a oportunidade de assistir.

NTS: Vino, o MR. foi um processo longo, de dois anos de construção coletiva, diferente do seu fluxo rápido e individual das mixtapes. Como essa maturidade e o fato de pensar o álbum como uma "obra fechada" mudaram a sua visão sobre como dialogar com público e o álbum durante o show?
Yunk Vino: Eu nunca fiz o álbum no sentido de ser a melhor maneira para dialogar com o público e sim a melhor maneira de me expressar de uma maneira, de uma forma onde o pessoal conseguisse entender o que eu tava passando no momento ou o que eu já passei ao longo desses anos trabalhando com a música. É o que eu melhorei. O que eu sei é mais nesse sentido de artista querendo se mostrar, mostrar algumas coisas no sentido pessoal ao longo dos anos.
NTS: Das 19 faixas do álbum, qual a música que você mais espera ver como o público vai reagir?
YV: Creio que Passado, Desde Mais Novo, Mister, Amiri, Safety e X. Acho que essas músicas são as que eu mais quero ver como que o público vai me corresponder nos shows.
NTS: Essa vai ser a sua grande tour. De maneira simples, o que você está esperando? Ansiedade, frio na barriga, ou o álbum estar amadurecendo ajuda a manter a mente focada e menos anseio?
YV: Eu estou ansioso também para os próximos shows. Estou esperando uma boa recepção do público. Acho que em algumas cidades que a gente ainda não visitou, não conseguiu fazer show e provavelmente vai conseguir fazer agora. Isso também me dá um pouco mais dessa ansiedade de ser a primeira vez fazendo várias coisas: primeira vez em turnê, em algumas cidades, levando um show nessa proporção, com esse entrosamento e tudo mais. Então isso me deixa bem feliz e nervoso, mas de um jeito positivo.





