Niink não faz pop e assume riscos
Com uma trajetória que levou sua música de Itapevi para palcos na Europa, Niink chega a uma nova fase da carreira com o lançamento de "Não Fazemos Pop", primeiro single de Essência de Risco, álbum que será lançado em breve. A faixa funciona como uma declaração de princípios: um posicionamento sobre identidade artística, autenticidade e os caminhos que escolhe seguir dentro de um cenário cada vez mais próximo do mainstream.
Sem abrir mão das raízes do rap, ele constrói uma sonoridade que dialoga com o trap contemporâneo enquanto mantém vivas referências fundamentais da cultura hip-hop brasileira. Em Essência de Risco, Niink promete aprofundar ainda mais esse discurso, explorando questões pessoais, novas vertentes musicais e a ideia de assumir riscos como parte fundamental de sua trajetória.

Em conversa com o NOTTHESAMO, o rapper falou sobre o significado de "Não Fazemos Pop", a influência de quem veio antes em seu trabalho, a relação com suas origens e o conceito por trás do novo álbum. Confira abaixo:
NOTTHESAMO: O título "Não Fazemos Pop" funciona quase como um manifesto. Mas num momento em que o trap brasileiro está cada vez mais próximo do mainstream, como você enxerga esse posicionamento na prática — existe uma tensão entre crescer e não se vender?
Niink: Em “Não fazemos Pop” eu quis trazer uma afirmação dessa identidade. Mostrando que posso buscar o mainstream sem necessariamente usar as fórmulas que costumam funcionar para que isso aconteça, e deixando claro um posicionamento por optar trazer algo que realmente acredito ao invés de fazer algo que possa “vender” mais fácil.
NTS: A faixa tem referências diretas aos Racionais MC's, tanto na atmosfera quanto em trechos específicos. O que significa pra você carregar essa herança dentro de uma sonoridade voltada ao trap — você enxerga isso como continuidade ou como diálogo entre gerações?
N: Pra mim sempre foi claro que o TRAP nunca deixou de ser RAP, então trazer referências dos maiores artistas do gênero pra dentro da minha música é inevitável, adaptar para uma ótica mais atual enriquece muito o meu trabalho e serve como um diálogo entre gerações.

NTS: Você nasceu em Itapevi, rodou a Europa em turnê, acumula 500 milhões de streams, e ainda assim a identidade periférica continua sendo o centro do discurso. O que faz essa âncora se manter tão firme com tudo isso acontecendo ao redor?
N: Se foi com essa essência que cheguei até aqui, não tem porque cair em deslumbre. Isso tudo eu enxergo apenas como uma consequência do meu trabalho, nada muda! Por isso o discurso é sobre isso e vai continuar sendo.
NTS: "Não Fazemos Pop" é apresentado como o som que inaugura o clima do álbum. O que mais o "Essência de Risco" vai ter que esse single ainda não entregou?
N: A lírica mais voltada ao conceito do projeto, pois eu vejo “Não fazemos Pop” como uma música mais descontraída em relação a atmosfera do disco. Muito mais sentimento, um lado pessoal que consegui explorar, e muitas vertentes do gênero.
NTS: De onde veio essa ideia do título do álbum, e o que ela diz sobre o momento que você está vivendo, tanto artisticamente quanto pessoalmente?
N: É exatamente o que diz ser, é sobre assumir os riscos, é sobre reconhecer o que pode dar ou não certo mas ignorar e buscar por algo que acredita, é ter isso como essência pra que medo nenhum seja mais forte que você e que nenhum obstáculo seja grande o suficiente para te parar.

Fotos por @linscreator




