O mar atravessa a nova colaboração entre Birden e MULI

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A nova colaboração entre Birden e MULI nasce de um reconhecimento quase imediato. O que começou com um pedido funcional — o desenvolvimento das camisetas de staff — rapidamente revelou algo maior: uma afinidade estética e simbólica que já existia, ainda sem nome. Quando as peças chegaram ao salão e despertaram o interesse de quem via, ficou claro que era só o começo de uma construção mais profunda.

No MULI, o mar nunca foi literal. Ele aparece como uma espécie de litoral imaginado no centro de São Paulo. A Birden, por sua vez, traduz esse mesmo território a partir da roupa, com um olhar que privilegia o essencial, o durável, o que atravessa contextos. Ao transformar isso em algo material, a colaboração cria uma ponte entre experiência e vestimenta.

A coleção se ancora na figura do marinheiro antigo. Cordas, nós, superfícies marcadas pelo uso e pela passagem do tempo aparecem como elementos que organizam esse imaginário. O resultado é de uma continuidade: duas visões que se encontram no mesmo horizonte, cada uma preservando sua identidade enquanto constrói algo em conjunto.

Esse universo se desdobra também na campanha, dividida entre dois cenários complementares: o mar concreto de Barcelona, fotografado por Natalia Blauth, e o cotidiano do próprio MULI, registrado por Fellipe Ditadi ao lado do chef Giovanni Rene. A coleção se expande ainda para objetos de mesa, criados com o artista Arivassa e direção de Higor Matheus, que carregam a memória do restaurante.

As peças já estão disponíveis no site e na Birden Flagship, com lançamento no MULI no dia 7 de maio.

Batemos um papo com Rennan, fundador da Birden e também com a Manu, PR do MULI. Confira abaixo:

MULI

NOTTHESAMO: Antes de qualquer desenho ou prato, qual foi a primeira conversa ou sensação que fez vocês terem certeza de que essas duas marcas precisavam existir no mesmo universo?

Manu: A Birden entrou pela porta de trás, no sentido mais bonito possível. Veio para desenvolver as camisetas do nosso staff, que era um brief simples, funcional. Mas quando as peças chegaram e as pessoas começaram a perguntar onde compravam, entendemos que tinha acontecido algo além de uma encomenda. A Birden leu o MULI com uma precisão que surpreendeu até a gente. Capturou aquela coisa do mar dentro da cidade, essa sensação de litoral inventado que a gente tenta criar em Santa Cecília. A partir daí, o projeto maior foi inevitável.

NTS: O MULI evoca o mar pela comida. Como é ver essa atmosfera ser transformada em algo tátil que as pessoas podem vestir?

M: A cozinha do MULI sempre trabalhou com a ideia de que o mar tem memória. O sal, a brasa, o frescor dos ingredientes, tudo isso convoca alguma coisa que não é só paladar. Ver isso se tornar tecido, bordado, modelagem, é estranho e natural ao mesmo tempo. O pescador antigo que virou referência da coleção existe no MULI há mais tempo do que imaginávamos, nas mãos calejadas da cozinha, na forma como tratamos o ingrediente com respeito e sem cerimônia. A Birden só tornou isso visível de outro jeito.

NTS: Os objetos de mesa — são uma extensão da comida ou do cenário?

M: Das duas coisas, mas talvez mais do gesto. Uma louça no MULI não é suporte para o prato, ela faz parte da experiência de servir e de receber. Quando pensamos nos objetos desta colaboração com o time criativo da Birden e o artista Arivassa, queríamos que eles carregassem a memória do restaurante sem precisar explicar de onde vieram. Quem já jantou aqui vai reconhecer algo. Quem ainda não veio vai sentir vontade de entender de onde aquilo vem.

BIRDEN

NTS: Tudo começou com as camisetas do staff. Em que momento vocês perceberam que aquela peça de trabalho e a relação de vocês carregava uma união forte o suficiente para se tornar uma coleção completa?

Rennan: As camisetas do staff nasceram de uma necessidade real, do dia a dia. Com o tempo, a gente foi percebendo que existia uma identidade própria ali. Aos poucos, elas deixaram de ser só uniformes e passaram a funcionar quase como códigos visuais do ambiente. Virar uma coleção mais profunda acabou sendo só uma continuidade disso.

NTS: Como foi o processo de pesquisa para chegar na estética do marinheiro antigo?

R: A gente partiu do Marinheiro antigo como premissa, mas sem tratar isso como figurino. Olhando para o que o próprio Muli já carrega no espaço, alguns elementos do salão e da proposta do lugar naturalmente reforçavam esse imaginário. A madeira, as cordas, as redes, as velas e claro, tratar o ingrediente com respeito.

Foi mais de reconhecer essas conexões e organizar tudo em uma narrativa coerente. No fundo, esse universo já existia, o marinheiro só ajudou a dar a direção criativa.

NTS: A coleção traz referências ao marinheiro antigo, cordas e nós. Como foi o processo de equilibrar essas referências rústicas e muito do universo do restaurante, com a linguagem visual e criativa que define a Birden?

R: Mesmo partindo de lugares diferentes, Birden e MULI acabam tocando no mesmo ponto: o mar.

Esse tema já existe nos dois, só que de formas distintas. No MULI, ele aparece no espaço, nos materiais, na experiência. Na Birden, vem mais filtrado, com uma leitura mais contemporânea. A ideia foi aproximar essas duas visões sem forçar uma sobre a outra.

A gente manteve a base do MULI, principalmente nas cores e na atmosfera, e trouxe isso pra dentro de uma construção mais enxuta e atemporal. Casting, locação, modelagem, tudo foi pensado junto, pra que o projeto ficasse coeso. Não como contraste, mas como uma continuidade natural entre os dois.

NTS: Como o encontro com o artista Arivassa e a direção do Higor Matheus ajudou a materializar esse "mar sugerido" que a coleção propõe?

R: O encontro com o Ari trouxe uma camada mais intuitiva, menos direta. Ele não tenta mostrar o mar de forma óbvia, trabalha mais no detalhe, no que fica implícito.

O Higor ajudou a organizar isso em imagem, conectando referências e ajustando o conjunto sem pesar.

No fim, esse “mar sugerido” aparece de um jeito mais contido. Não como cenário, mas como algo que atravessa e acompanha o projeto inteiro. A idéia é ter um souvenir que carregasse a memória da colaboração.