Collab Fest: Adobe une referências de artistas em exposição no MIS Experience
O projeto nasce como uma plataforma cultural que transforma uma rede criativa digital em uma experiência física, viva e coletiva. Além disso, o encontro marca um novo capítulo na construção da Adobe Creative Community no Brasil. “Tudo começa em algum lugar” é o conceito do Collab Fest, e parte da ideia de que a criatividade é construída através de referências, encontros, sons, imagens e trocas constantes.
“O Collab Fest materializa algo que já existe: uma comunidade criativa construída coletivamente ao longo do tempo. A ideia da Adobe com esse movimento é transformar essas conexões em algo que as pessoas possam viver, atravessar e fazer parte”, afirma Renata Decoussau, Diretora de Marketing para a América Latina da Adobe. A iniciativa reúne artistas visuais, creators, DJs, fotógrafos, designers e diferentes nomes da cena criativa brasileira.
A exposição aconteceu no último sábado, 30 de maio, e contou com trabalhos dos integrantes da Adobe Creative Community, onde cada um apresentou uma obra acompanhada de um texto autoral com as inspirações para o trabalho. O Collab Fest ocupou o MIS e trouxe os artistas: Jordan Vilas, Bruno Pompeu, Rafael Pereira, Brian Baldrati, Yaminah Mello, Amandrafts, Lucas Bori, Bruna Bismara, Fernando Schlaepfer, Gabriel Sá e Paulo Aguiar.
Conversamos com alguns deles sobre quais imagens, sons, memórias ou referências culturais mais moldaram o trabalho que eles apresentaram na exposição, confira abaixo:
NTS: O conceito de “tudo começa em algum lugar” fala muito sobre origem e repertório. Quais imagens, sons, memórias ou referências culturais mais moldaram o trabalho que você apresenta aqui?
Brian Baldrati A minha maior inspiração é a beleza do dia a dia, do cotidiano das pessoas. É a arte da própria vida. Nos meus retratos, procuro retratar a beleza que cada pessoa guarda, a história que ela conta com os olhos, os gestos. Essas fotos trazem a beleza da cultura de duas regiões que eu gosto muito, a Ilha do Ferro, no Alagoas, e Pirenópolis, interior de Goiás. De formas diferentes, elas expressam a alegria, a música e as tradições desses lugares.

Fernando Schlaepfer Quando estávamos a caminho de fazer as imagens, o Leandro [Emicida] colocou a faixa Amarelo para tocar pela primeira vez. A música já começa com um sample de Belchior, um artista que há muito tempo não era tão falado na grande mídia. Nós já conhecíamos bem a obra dele, mas o Emicida ressuscitou essa música de uma forma incrível. Imediatamente, me veio à mente a iconografia muito forte da capa do álbum Alucinação, do Belchior. Essa referência dialoga totalmente com o processo criativo e de construção do rap e da cultura hip hop, que é a essência do sample: pegar algo e reinterpretar. Achei que esse seria o caminho ideal para a arte. Minha ideia foi investigar o processo de feitura daquela imagem icônica e reproduzi-la, mas colocando o Emicida na capa no lugar do Belchior. Durante a pesquisa, entendi que a foto original foi feita por um fotógrafo que admiro muito, utilizando um processo fotográfico analógico chamado solarização, que eu ainda não conhecia. Decidi, então, reinterpretar essa estética de maneira digital. Usei vários recursos de manipulação a partir de um retrato que fiz do Emicida no próprio dia em que estávamos gravando o clipe. O resultado dessa mistura de referências acabou virando a minha capa favorita.

Amandrafts As obras que apresento na exposição surgem de um lugar de escuta, observação e memória afetiva. Seja no som ritmado do triângulo anunciando o vendedor de cavaco chinês chegando na rua ou nas letras das músicas que guiam meu processo criativo. Meu trabalho tem muita influência do cotidiano de onde vivo, da cultura popular, dos costumes, do forró e da linguagem gráfica que a gente vê pelas ruas. Me interessa muito dar luz a essas referências que muitas vezes passam despercebidas, porque elas também contam sobre quem a gente é.

Rafael Pereira Meu repertório cultural e minha vivência urbana são a base de tudo. Cresci na periferia de Salvador e, desde cedo, aprendi a observar o mundo ao meu redor com um outro olhar. Ter como referência artistas que deixaram sua marca na Bahia ajudou bastante nesse processo. Tenho grande admiração pelo olhar do francês Pierre Verger, por Walter Firmo e Mário Cravo, são algumas das referências que mais me moldaram. Os filmes também foram fundamentais: Cidade Baixa, Ó Pai Ó e Capitães de Areia me mostraram que os lugares por onde eu caminhava podiam existir numa tela, e isso era algo magnífico e mágico. Gosto sempre de dizer que a beleza está nas pequenas coisas e nos olhos de quem vê e foi esse repertório cultural que me deu a sensibilidade para enxergá-la.

Gabriel Sá Boa parte das obras que eu produzo vem de memórias da minha infância. Eu fiz capoeira durante um período na infância. Acredito que foi importante em uma fase onde eu tava descobrindo sobre consciência corporal e também um pouco do meu lugar no mundo. A capoeira tem um lugar especial no imaginário popular brasileiro. Eu sou fascinado por tudo que o Brasil cria.

Jordan Villas A minha musicalidade e o meu olhar visual são inseparáveis da Bahia. Cresci imerso na percussão de grupos como Olodum, Timbalada, Ilê Aiyê, Cortejo Afro, Muzenza e Ara Ketu — este último, inclusive, já teve como vocalista a Larissa Luz, artista que fotografei para esta obra. Além disso, a música faz parte da minha trajetória pessoal como compositor, a exemplo da faixa Bentivi (interpretada por Bruna Black e Jota Pê), o que impacta diretamente o meu processo criativo. No retrato da Larissa Luz, busquei capturar a energia do seu novo álbum, Desmonte, especificamente da música Fúria do Tambor. Essa faixa mistura a percussão baiana com uma pegada de rock, uma vertente que também tem forte representação na Bahia com nomes como Gil e Pitty. Na minha fotografia, não procuro apenas registrar o momento, mas transmitir os sentimentos, a religiosidade e a simbologia de cada situação. Somado a tudo isso, há a força dos projetos sociais de Salvador, que usam a percussão para educar e socializar a juventude. Portanto, minhas maiores referências e aquilo que me molda vêm, com certeza, de ter nascido na Bahia. Meu trabalho é fruto direto dessa troca e dessa vivência com a nossa cultura e os nossos talentos.

Yaminah Mello Minha obra nasce do diálogo entre ancestralidade, território e som. As referências que a moldam vêm da força simbólica de Iansã, das memórias do cerrado onde cresci e da música como linguagem de expressão e permanência. Interessa-me investigar como imagens, ritmos e narrativas ancestrais continuam habitando o presente, criando pontes entre origem, identidade, criação artística e futuro (físico e energético).





