Mapu e AIÔ, duas portas de entrada para entender Taiwan em São Paulo. Um food guide por 2calmo
A culinária taiwanesa é o resultado de várias camadas de migração e ocupação. Taiwan recebeu influências indígenas e chinesas — principalmente de diferentes regiões do sul da China —, japonesas durante o período colonial e, depois de 1949, uma enorme chegada de pessoas vindas da China continental. Por isso, não é simplesmente “comida chinesa de Taiwan”. É uma cozinha própria, construída a partir dessas diferentes histórias.
A imigração chinesa para o Brasil começou a ganhar força principalmente no século XX, mas a presença especificamente taiwanesa cresceu bastante a partir das décadas de 1970 e 1980. Muitos imigrantes vieram para São Paulo, que acabou se tornando o principal centro dessa comunidade no país.
E, como acontece com outras cozinhas, a comida vira uma forma de preservar a memória.
Só que existe uma particularidade: a culinária taiwanesa ainda é pouco conhecida pelo brasileiro médio. Quando alguém fala em comida asiática em São Paulo, normalmente pensa primeiro em japonesa, chinesa ou coreana. Taiwan ainda está muito mais escondida.

A história dos restaurantes
O Mapu começou em 2017 como um food truck, criado pela taiwanesa Jasmine Chen, ex-chef do templo budista Zu Lai, junto com seu filho, Duilio Lin. Hoje, na Vila Mariana, virou um daqueles lugares que fazem você conhecer um pouco de Taiwan através da comida do dia a dia.
Dona Jasmine: "Naquela época eu cozinhava muito, porque quando você sente saudade da comida da sua terra, você tem que cozinhar. Tudo que eu gostava de comer e me lembrava de Taiwan, eu fazia lá.”
Nascido em 2023 como restaurante irmão do Mapu, o Aiô propõe uma leitura contemporânea da cozinha taiwanesa. A casa busca surpreender não só pelos sabores, mas também pelas texturas, cores, ambiente e experiência. Mais do que a comida, o restaurante aposta também na hospitalidade como parte importante da experiência, criando uma atmosfera que pretende surpreender o cliente do início ao fim.
Duilio: “A primeira barreira é apresentar uma coisa que ninguém conhece. Quando você fala de um pão feito no vapor, muita gente não consegue nem imaginar como é. O desafio é fazer a pessoa estar aberta a provar.”
Caio: “O Aiô nasceu dessa vontade de trazer mais facetas de Taiwan. É uma cozinha autoral com raízes taiwanesas, mas que também mistura as nossas vivências, nossas raízes e o que a gente tem de melhor no Brasil.”

A experiência em cada um, por 2calmo
Mapu: “A berinjela do Mapu é absurda. Crocante por fora, macia por dentro e com um molho de missô adocicado que faz tudo funcionar.”

AIÔ: “No Aiô, a salada de tomate parece simples, mas não é. Tem tomate, vinagre escuro, garum, lay ou e moyashi, e tudo se mistura muito bem. É fresca, ácida, picante e daquelas combinações que surpreendem.”

Bar do AIÔ: “E essa mistura de referências não fica só na cozinha. A coquetelaria do Aiô, liderada por Mauricio Barbosa, nascido em Belém do Pará, também entra nessa conversa, trazendo suas próprias referências e mostrando que a identidade do restaurante é construída por muitas histórias diferentes.”

“O que mais me marcou foi perceber que o cuidado do Mapu e do Aiô não está só na comida. Existe uma preocupação real com quem trabalha ali, como criar um lugar onde as pessoas estejam bem. E acho que isso aparece no resultado: o Mapu e o Aiô são o que são porque existe esse cuidado com as pessoas por trás de tudo.”
Fotos por @camillagcb




