Os 13 anos de Batuk Freak com Karol Conká

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Lançado como um manifesto musical, Batuk Freak rompeu as barreiras tradicionais do rap ao misturar de forma pioneira as rimas com a efervescência do funk e dos ritmos afro-brasileiros. O disco abriu caminhos fundamentais para que a nova geração de artistas transite hoje entre diferentes gêneros com total liberdade criativa.

A celebração de 13 anos do projeto ganha um peso ainda maior ao coincidir com os preparativos para as comemorações dos 25 anos de carreira de Karol Conká, que começou ainda aos 16 anos de idade. As mensagens de autoestima, identidade e emancipação que costuram a obra ganharam camadas profundas de maturidade e novos significados após os últimos anos.

Para compreender melhor o peso dessa comemoração, a importância histórica do Batuk Freak e a emoção de revisitar esse clássico, conversamos com Karol Conká, confira o papo completo no abaixo:

NOTTHESAMO: Na época do lançamento, você sentia que estava propondo uma ruptura estética ou só estava fazendo a música que fazia sentido para você naquele momento? Como você enxerga esse impacto hoje?

Karol Conká: Na época do lançamento, eu sabia que ia causar uma ruptura ali na cena. Eu sabia que ia causar um impacto. Foi tudo planejado, gente, eu sou artista desde que nasci! Então, me fiz valer naquele momento do lançamento do Batuk Freak. Eu sabia que ele seria um divisor de águas para a música e que o rap nacional nunca mais seria o mesmo.

NTS: Hoje é comum vermos artistas transitando entre rap, funk, pop, música eletrônica e ritmos afro-brasileiros. Você sente que Batuk Freak ajudou a abrir esse caminho? Como é observar essa transformação da cena?

KC: Com certeza. O Batuk Freak inspirou muita gente na música. Revolucionou ideias, opiniões, sensações e movimentos. Consigo identificar a presença do Batuk Freak em algumas músicas e em alguns trabalhos atuais. Isso me deixa muito feliz, porque acho que nós, brasileiros, devemos nos inspirar em nós mesmos. Quando vejo que o álbum ainda se faz presente — seja na música ou no comportamento de alguém —, é sinal de que eu não estava errada quando pensei em trazer uma coisa nova junto com o produtor.

NTS: As músicas do álbum falam muito sobre autoestima, identidade e liberdade. Quais dessas mensagens ganharam novos significados para você depois de tudo o que viveu nesses últimos 13 anos?

KC: Acho que toda a mensagem do Batuk Freak ainda se faz muito presente e forte. Eu falo sobre você se permitir lutar, ir atrás dos seus sonhos e ser livre para ser e estar onde você quiser. Revisitar essas músicas faz com que eu perceba o quão atual e atemporal esse projeto é.

NTS: Celebrar os 13 anos de Batuk Freak também coincide com os seus 25 anos de carreira. O que essa sobreposição de datas diz sobre a sua trajetória e sobre a artista que você se tornou?

KC: Olha, me tornei uma artista plural, forte e determinada. Subo nos palcos desde os meus 16 anos de idade, então conto a minha carreira desde aí. Acho muito bacana poder falar do Batuk Freak como o ponto principal da potência dessa trajetória. Ele foi, justamente, o primeiro álbum de lançamento oficial da minha musicalidade. Eu já havia gravado outras músicas antes, mas nunca lançado um álbum de fato. Ele aparece como um divisor de águas: mostrou que sim, era possível eu entrar no eixo Rio-São Paulo e conquistar o país todo.

NTS: Esse show é uma celebração, mas também um reencontro. Como foi revisitar esse repertório nos ensaios? Houve alguma música que te emocionou ou surpreendeu de um jeito novo?

KC: É muito gostoso poder cantar o Batuk Freak. Na hora do ensaio, me emocionei muito cantando "Mundo Louco", que é uma das minhas faixas favoritas desse álbum. Fiquei muito emocionada ao lembrar daquela Karol de 20 e poucos anos, que não fazia ideia do quão potente seria esse álbum — embora eu já planejasse tudo isso. Hoje, fico muito feliz de poder realizar esse sonho.