Por dentro de "Direction Over Speed": os detalhes da nova exposição dos irmãos Metsavaht.

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A nova exposição "Direction Over Speed", idealizada pelos irmãos Felipe e Thomas Metsavaht, propõe uma imersão profunda no universo outdoor e no estilo de vida que define a essência da Osklen. Em uma entrevista exclusiva, Felipe Metsavaht revelou os bastidores do projeto e explicou como a mostra quebra o formato tradicional e engessado do mercado da moda.

Mais do que exibir roupas prontas, a exposição utiliza fotografia, elementos audiovisuais e memórias afetivas para mostrar como o convívio com o mar e as montanhas se traduz diretamente em design de alta performance.

O público também pode conferir em primeira mão o teaser de um curta-metragem de 30 minutos desenvolvido pelos irmãos, que resgata a cultura dos clássicos filmes de surfe e snowboard e foge do imediatismo dos vídeos curtos das redes sociais. Conversamos com o diretor criativo sobre, confira a entrevista completa abaixo:

NOTTHESAMO: O que é essa exposição que vai rolar? O que você tentou trazer para cá e quais foram as inspirações? Me dá um panorama geral.

Felipe Metsavaht: A ideia foi mostrar um pouco dos bastidores do projeto e do processo criativo por trás da linha de outdoor.

Na verdade, a Osklen começou com os primeiros casacos de snowboard que meu pai fazia para as expedições dele, que é o que a gente está vendo no fundo da exposição — o primeiro casaco de todos e os das três expedições da trilogia de filmes dele.

Coincidentemente, calhou de voltarmos a fazer casacos de snowboard agora, 20 anos depois do último lançamento, que foi em 2006.

Aproveitamos todas essas novas peças que temos desenvolvido de outdoor, tanto de snowboard quanto de surfe, para mostrar esse momento trazendo o nosso lifestyle, que é o que cria essas peças.

Eu e meu irmão fomos criados no Rio de Janeiro, em contato com o mar, com as montanhas e com a floresta desde pequenos. Aprendemos a conviver nesses ambientes através do surfe. Passávamos horas no mar por causa disso. Mais tarde, nos apaixonamos pelo snowboard, que veio dos nossos pais.

Vivendo esse estilo de vida dos esportes de prancha na natureza, criamos nosso processo na Osklen: fazemos as peças inspiradas nessas viagens e depois testamos o produto nessas aventuras. É um ciclo que se completa entre o escritório e o teste no mundo real.

NTS: E por que, 20 anos depois daquela última jaqueta, vocês voltaram a produzir isso agora? Tem a ver com uma passagem de bastão?

F: Essa passagem já tem acontecido há um tempo. Eu trabalho com meu pai e, de uns seis anos para cá, isso ficou cada vez mais forte. Na verdade, ficamos esse tempo sem fazer, principalmente por causa do fornecedor.

Agora, tanto para os casacos quanto para os tênis, estamos com fornecedores que conseguem chegar na qualidade que a gente quer. Acreditamos que essas peças têm nível internacional para competir com qualquer outra, só que orgulhosamente feitas no Brasil.

Também é interessante ver como o mercado de neve tem crescido no Brasil, com as Olimpíadas de Inverno e o Lucas Pinheiro ganhando o ouro. É um timing muito bonito para lançar essas peças. Vale mencionar também o trabalho de audiovisual, que é uma das principais coisas da exposição, e o teaser do filme que vou lançar com meu irmão daqui a alguns meses.

Ele fala justamente sobre esse processo criativo de como a nossa experiência na natureza se traduz em linguagem de moda. São imagens feitas por mim, por ele e por amigos, surfando e andando de snowboard nessas viagens.

NTS: Quando surgiu a ideia de não contar a história do jeito básico (só fazer um ensaio bonito e lançar no site), mas de realmente criar esse ambiente e essa ambientação? O que isso tem a ver com você, com a Osklen e como essas coisas se cruzam?

F: O legal dessa exposição e do filme é pensar em modos de sair da forma um pouco engessada que as marcas em geral trabalham — de só criar a roupa, fazer uma campanha e lançar. O diferencial do nosso trabalho é justamente como o nosso estilo de vida está interligado com o profissional; não existe essa fronteira. A exposição serve para criar esse universo, tirando a barreira entre o que seria considerado lazer (o esporte) e o processo de design. Não mostra só as roupas prontas, mas tudo o que tem por trás delas.

NTS: Surgiu de maneira natural? Vocês viajam, testam as coisas e trazem para o escritório... O filme também foi assim? Tipo, vocês não tinham planejado nada, decidiram gravar e de repente viram que tinham uma história para contar?

F: É mais ou menos isso. A gente faz as viagens sempre pensando na coleção que está testando e na próxima que vai criar. Estamos há três anos criando conteúdo nessas viagens para as coleções atuais, mas sempre quisemos pensar em um projeto maior. Principalmente pensando na forma como o conteúdo de surfe e snowboard é consumido hoje em dia — clipes de 15 segundos no Instagram para viralizar. Perdeu-se um pouco a questão do filme focado, e nós sempre gostamos disso. Desde pequenos somos apaixonados pelo audiovisual desses esportes. Por isso, planejamos um curta-metragem de meia hora, impulsionados pela vontade de fazer um projeto mais longo.

NTS: Qual parte desse processo você mais gosta? A construção da peça ou estar lá vivendo e testando tudo na natureza?

F: Eu acho que os dois. As viagens trazem um momento especial de abstração, de interpretar a natureza e tentar traduzir isso em roupa — aí está a magia. Mas talvez o momento mais gratificante seja no final, quando você vê a loja pronta, porque ali você enxerga a síntese de tudo, e não apenas a roupa isolada.