Oscar 2026: os possíveis vencedores

Mar 14, 2026


A temporada de premiações do cinema chega ao seu momento final neste domingo, quando acontece a cerimônia do Oscar 2026. A edição deste ano encerra uma temporada considerada uma das mais imprevisíveis dos últimos tempos. Apesar da dominância de Sinners em quase todas as categoras, a disputa aparece espalhada entre produções muito diferentes entre si, que vão de grandes produções de estúdio a filmes independentes e projetos internacionais.

Entre os indicados a melhor filme, o cenário é dividido principalmente entre dois títulos que chegaram fortes ao final da temporada. De um lado está Sinners, dirigido por Ryan Coogler, um drama com elementos de terror que mistura música blues, história afro-americana e um universo vampírico ambientado no sul segregado dos Estados Unidos. O filme lidera o número de indicações e se tornou um dos favoritos da temporada. Do outro lado aparece One Battle After Another, dirigido por Paul Thomas Anderson, um drama político que acompanha tensões sociais e ideológicas dentro da sociedade americana contemporânea e que venceu diversos prêmios importantes ao longo dos últimos meses.

Esses dois títulos sintetizam boa parte do debate atual dentro da indústria. Enquanto Sinners representa um cinema que mistura um espetáculo musical e comentário social, o filme de Anderson segue uma linha mais tradicional de drama político autoral. No entanto, a disputa não está restrita a eles. Produções como Hamnet, dirigido por Chloé Zhao, e Sentimental Value, do diretor Joachim Trier, também aparecem como possíveis surpresas na reta final da premiação.

Outro ponto que chama atenção nesta edição é a diversidade de estilos entre os indicados. Filmes como Frankenstein, uma releitura contemporânea do clássico literário, e F1, produção ambientada no universo das corridas automobilísticas, dividem espaço com dramas intimistas como Train Dreams e com produções independentes que circularam primeiro em festivais internacionais antes de chegar ao circuito comercial.

A disputa entre atores também aparece aberta. Entre os indicados a melhor ator estão Timothée Chalamet por Marty Supreme, Leonardo DiCaprio por One Battle After Another, Ethan Hawke por Blue Moon, Michael B. Jordan por Sinners e o brasileiro Wagner Moura por O Agente Secreto. A presença de Moura marca um momento histórico, já que ele se tornou o primeiro ator brasileiro indicado ao prêmio de melhor ator pela Academia.

Um dos pontos que entrou na conversa nas últimas semanas da temporada foi a repercussão de declarações feitas por Timothée Chalamet durante entrevistas de divulgação de Marty Supreme. O ator comentou sobre seu interesse crescente em se dedicar mais ao teatro nos próximos anos e falou abertamente sobre a diferença entre a atuação para o palco e para o cinema, defendendo que o teatro continua sendo o espaço onde o trabalho do ator é mais exposto e menos mediado por montagem ou tecnologia. Embora as falas tenham sido interpretadas por alguns como uma reflexão honesta sobre o ofício, dentro da lógica da temporada de premiações elas acabaram gerando certo ruído. Campanhas de Oscar normalmente dependem de uma presença constante em eventos, entrevistas e encontros com votantes da Academia, e qualquer sinal de distanciamento da indústria costuma ser analisado com cuidado nesse momento. Nos bastidores, parte da imprensa especializada passou a considerar que a postura mais introspectiva de Chalamet, somada à disputa acirrada deste ano, pode ter enfraquecido ligeiramente seu caminho rumo à estatueta de melhor ator, abrindo ainda mais espaço para outros nomes da categoria.

Entre as atrizes, a disputa gira principalmente em torno da atuação de Jessie Buckley em Hamnet, considerada uma das favoritas depois de vencer diversos prêmios ao longo da temporada. Também aparecem entre as indicadas Emma Stone por Bugonia, Renate Reinsve por Sentimental Value, Rose Byrne por If I Had Legs I’d Kick You e Kate Hudson por Song Sung Blue.

Nas categorias de atuação coadjuvante, nomes veteranos aparecem com força. Sean Penn concorre por sua participação em One Battle After Another, enquanto Benicio Del Toro e Stellan Skarsgård também aparecem entre os indicados. Entre as atrizes coadjuvantes, destacam-se Amy Madigan por Weapons e Wunmi Mosaku por Sinners.

Para o Brasil, esta edição tem um peso especial. O filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, aparece indicado tanto a melhor filme internacional quanto à categoria principal de melhor filme, algo raro para produções brasileiras. Além disso, a indicação de Wagner Moura como melhor ator amplia a presença do país na premiação e marca um momento histórico para o cinema nacional. O filme ainda soma indicações em outras categorias técnicas, reforçando sua repercussão internacional.

Outro brasileiro presente na disputa é o diretor de fotografia Adolpho Veloso, indicado por seu trabalho em Train Dreams. Embora o Brasil tenha uma longa relação com o Oscar na categoria de filme internacional, indicações em áreas técnicas e de atuação ainda são raras, o que faz desta edição uma das mais relevantes para o país nas últimas décadas.

Além da disputa entre filmes e performances, a cerimônia também reflete debates maiores sobre o momento da indústria audiovisual. O cinema atravessa um período de mudanças estruturais envolvendo streaming, concentração de estúdios e o avanço de tecnologias de inteligência artificial dentro da produção audiovisual. A própria temporada de premiações deste ano foi atravessada por discussões sobre o futuro da indústria e sobre como essas transformações podem alterar a forma como filmes são produzidos, financiados e distribuídos.

Independentemente de quem saia com as estatuetas, o Oscar deste ano evidencia um momento interessante do cinema contemporâneo. Produções internacionais aparecem com mais força do que em outras épocas, diretores autorais continuam presentes nas principais categorias e filmes que misturam gêneros e linguagens ganham espaço dentro de uma premiação historicamente associada a dramas tradicionais. No fim das contas, a cerimônia de amanhã funciona menos como um veredito definitivo sobre o melhor filme do ano e mais como um retrato do estado atual do cinema mundial.