A estreia do Brasil além do campo, por Cancha Popular

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Após a estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, nos deparamos com diversos tipos de abordagens. Seja sobre o resultado, jogadores ou então a festa da torcida nos mais diferentes locais do mundo, quem não esteve presente no Met Life Stadium em Nova York apenas replicava a sua percepção sobre o jogo.

Porém, existe um assunto importante de ser abordado, os bastidores deste jogo fora das quatro linhas. Luiz de Lavor, fotógrafo e dono da página Cancha Popular, uma galeria de fotos analógicas que roda o mundo mapeando a cultura das arquibancadas e conectando comunidades através do futebol de rua e do comportamento real dos torcedores.

O fotógrafo apontou problemas profundos, como a extrema elitização do público presente no estádio, o que acabou por afastar a arquibancada de um retrato fidedigno da identidade e do povo do Brasil. O relato expõe o choque de realidade de quem busca o futebol real e se depara com um evento comercial engessado, onde a truculência policial e o excesso de regras impeditivas tentam ativamente enquadrar, controlar e silenciar as manifestações espontâneas da torcida. A experiência no estádio americano joga diretamente com a memória afetiva de quem cresceu vivendo o futebol nas ruas, servindo como um alerta sobre os perigos da mercantilização do esporte. Confira o depoimento completo abaixo:

"Sou o Luiz de Lavor, toco o Cancha Popular, uma galeria de fotos analógicas de futebol. Desde 2022 eu ando viajando a América Latina e agora o mundo retratando torcidas, países e juntando uma comunidade ao redor da cultura do futebol. Na estreia do Brasil, começamos nossa jornada na Copa do Mundo.

É ver do outro lado da tela, saber o que acontece na vida real numa estreia de Copa. O reencontro com memórias e nostalgia dos nossos momentos como brasileiros em Copa, nas ruas, com nossas famílias, amigos, fazendo festa.

Acontece que existem problemas óbvios: a extrema elitização do público (o que não é surpresa para ninguém) me desencorajou um pouco a retratar as pessoas, já que elas não são um retrato fidedigno do brasileiro, na minha opinião.

A polícia e a estranha relação dos americanos com o futebol:

Eles não entendem o esporte e tentam enquadrá-lo nas suas próprias regras, lutando contra os rituais do jogo. Há policiais perseguindo gente que quer ver a partida em pé, truculência para todo lado, uma obsessão com o lugar marcado e as paradas de hidratação que alteram a dinâmica do jogo, forçando um espaço publicitário e empurrando uma fanfarra de universidade americana completamente desconectada do contexto.

É mágico, grandioso, inacreditável, porque joga com a nossa memória afetiva e me sinto agradecido. Mas ao mesmo tempo, é um retrato de tudo aquilo que ameaça afastar o futebol das pessoas. É preciso defender o esporte que a gente ama como podemos."